domingo, 25 de dezembro de 2016

Desmilitarização já!

       Fui perguntado de forma direta como acho que deve ser feita a desmilitarização da polícia militar no Brasil. Respondi assim:

       De forma imediata, por nossos governantes e legisladores, como inclusive pediu o Conselho de Direitos Humanos da ONU. Se a intenção de sua pergunta é mais no sentido do que consiste a desmilitarização, aí se trata de um tema que daria algumas páginas, ainda mais levando em conta o tamanho do Brasil e sua diversidade, mas podemos resumir da seguinte forma: desmilitarizar é humanizar o policial, é colocá-lo no mesmo patamar de qualquer outro cidadão, é não treiná-lo para eliminar o inimigo, como se estivesse em uma guerra, é conhecer o lugar dele e respeitar todo registro de imprensa (amador ou profissional), é saber não vingar uma ofensa, não agredir, não torturar (repetindo o ambiente que foram formados), é acabar com a obediência cega à hierarquia, dando assim mais autonomia para o sujeito ir contra absurdos eventualmente ordenados por um superior (sem ir preso!), é fazer promoções de forma mais justa dentro da corporação, é focar no diálogo e no uso de armas não letais (embora não seja o fim do armamento letal). Estamos falando da polícia que mais mata no mundo e que acoberta muitos abusos, afinal, a corregedoria dela faz parte da corporação, regida por militares. É evidente que em algumas situações não é possível se livrar do armamento pesado e da hierarquia cega antes de mudar algumas políticas públicas, como, p. ex., o combate do BOPE nos morros do Rio, antes deveríamos acabar com a estúpida guerra ao tráfico, pois da forma que é, certamente não cabe a um soldado desse batalhão questionar seu superior imediato em uma ação, pois pode implicar na morte de todos eles. Enfim, em uma palavra, a polícia militar tem que acabar, não há como melhorar essa instituição, pois a mesma é contaminada desde a formação dos soldados. Não estou dizendo que deveríamos despedir todos os policiais que hoje estão lá e começar do zero, mas é preciso começar, já mudar o nome, a lógica, o treinamento, a formação, a “filosofia”, e nas próximas gerações a PMerda estaria em um museu de insanidades restantes da Ditadura Militar, onde é o lugar dela.

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