quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Eu sou dois


Eu sou dois,

Sou a razão e a animalidade

Sou deus e sou homem

Sou maior que meu corpo

Sou menor que minha alma

Sou o ser, faço parte do ser

Sou tudo e não sou nada


Força, rugir, odiar, lutar, amar...

Trocar ideia com deuses e anjos,

Deixar um legado,

Com a mente se dá rumo,

Se muda o mundo


Quero correr como uma besta,

Mas voar só posso com minha razão,

Estou preso nesse corpo mortal,

Fraco e forte,

Sinto o animal, sinto o final...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Sendo mais



É emocionante a vida,
essa experiência única e estranha,
não sabemos o que houve antes
muito menos o que haverá depois
se é que haverá um depois

Nosso mundo e planos e afazeres
tão seguros, não passam de um sopro,
um momento, um instante,
a vida passa como uma vela que se apaga

Quanto mais vivemos mais o tempo passa rápido
e os dias nunca são o bastante;
vivemos mais o amanhã que o hoje
e sem perceber deixamos em segundo plano o que temos
e quem temos presente agora

Chega um momento que é hora de parar,
não há mais tempo pra desperdiçar,
pois tudo passa, tudo se vai
e o que estamos deixando para trás

As coisas são como são,
o primeiro passo é reconhecer e aceitar,
aprender a beber cada momento da vida e do amar;
nada como respirar fundo numa manhã de sol

Não sei como será quando você for,
mas não pensemos nisso, venha comigo
vamos aproveitar o dia não fazendo nada,
rindo mais, sendo mais.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Seu Jucemir e o acordeon


Ele está numa rua com nome de santo, São Paulo, só podia ser...
Pois nos encanta como um santo, trazendo paz com sua música, aliviando nosso pranto;

Homem humilde, já de idade, que não enxerga... quero dizer, não enxerga com os olhos, ele enxerga com a alma, nós que somos cegos perto de alguém assim;

Sempre com um sorriso no rosto, tocando para os transeuntes sem cobrar nada... Tantos passam e são abençoados pela sua bela música, e quase ninguém lhe dá uma doação;

Ele os perdoa, não está ali por isso, dinheiro não pode comprar uma alma assim... Alegre por natureza, seu acordeon é vivo, transmite vida aos aflitos corações;

Seu Jucemir ali sentadinho, na dele... as pessoas passam sorrindo, cantando, preocupadas, chorando, alheias, amando...
Muitos nem o percebem, mas não deixam de beber do seu animado som;

Som simples e contagiante, fazendo que nossa cidade, Belo Horizonte, tenha um horizonte ainda mais belo... Naquele pedacinho entre Tupis e Tamoios, os espíritos dos índios o cerca;

Seu Jucemir e o seu acordeon, não sei por quanto tempo ainda teremos o prazer de o ver tocar, queríamos que fosse para sempre, por isso escrevo este poema...

Sua música é uma dádiva, um dom, tenho pena dos cegos de alma e cegos pela pressa, que não percebem o mundo, que não pararam para o ouvir tocar...